<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-28486182</id><updated>2011-12-14T18:34:09.532-08:00</updated><title type='text'>Poetagens e Tinturarias Vertebrais: O Outro Lado</title><subtitle type='html'>Procurarei fazer aqui um paralelo com meu blog inicial...Com notícias e comentários que se complementem.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://poetagens.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poetagens.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Poetagens e Tinturarias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11848190307144847564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>7</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28486182.post-115212091506766956</id><published>2006-07-05T10:34:00.000-07:00</published><updated>2006-07-05T10:35:15.080-07:00</updated><title type='text'>Mané</title><content type='html'>Essa vida de carcereiro é um problema. Tenho de me virar, tenho de fazer uns bicos pra tentar sobreviver neste mundão, mas tenho também de me segurar nas bicas, nas quebradas, ficar esperto. Tenho de ser malaco, tenho de ser malandro, a gente pensa que a coisa está sossegada, tem uma matraca te esperando na esquina mais estranha. Quatro de meus amigos se foram. Mas eles vão ver uma coisa, eles dirão depois que fui eu, mas eu juro que isso não fica assim. Não vou dizer que aprovo, mas o bundão lá de cima não sai do escritório, eu e meus colegas é que queimamos pestana pensando no que fazer e depois ele diz “ah, é, precisa dar segurança”, bom, é que não é o olho dele que está a perigo, é o meu. O nosso. O seu, não os deles, nem de um, nem de outro lado. Um problema, seu leitor, um problema. Essa noite mesmo matei um cachorro que revirava lata. Eles dizem “é melhor armar” então reconhecem que não temos armas e o outro lado está mais seguro, caceta. Se tem de armar, além do mais, prova que o que tem de mais de um lado, tem de nada do outro. Eu me garanto, isso sim. SOU É BESTA?  Guardar feras e ser enjaulado por elas lá fora? Eu me respeito. Coitado do cachorro: ele, lata de lixo, tudo pro espaço. Mas afinal, podia ser outro cão não podia? Sou é bobo? Minha mulher, bom, esta santa me atura não sei como! Às vezes chego cheirando cadeia, aquele odor e os olhos das feras me seguindo, me marcando...&lt;br /&gt;--Tá com cheiro de novo!&lt;br /&gt;--Mulher...&lt;br /&gt;--Nem insista; vá se lavar. Depois vem jantar!&lt;br /&gt;Tomo mil banhos, de sal grosso e até de creolina! Volta e meia tem piolho me abusando, vêm de lá, meu filho é que percebe:&lt;br /&gt;--Mais um!&lt;br /&gt;--Caceta!...&lt;br /&gt;--Fala assim não pai!&lt;br /&gt;--Não é com você!&lt;br /&gt;Daí, chororó. Daí, a mulher emburra, daí, Creusa.&lt;br /&gt;--Até quando?&lt;br /&gt;--Já te falei, me dá mais um tempo, ela é mãe dos meus filhos!&lt;br /&gt;--E eu sua diversão?&lt;br /&gt;--Creusa...&lt;br /&gt;--Olha, você que me procurou me prometendo mil coisas! Eu já estou até aqui!&lt;br /&gt;Daí, trabalho e os olhos gelados da Ala Porqueira e os sinais e as promessas de fim de vida, assim vai a minha.&lt;br /&gt;--Hoje mamãe vem em casa. E olha, nada de beber, da última vez ela saiu daqui com náusea de ver você que nem esponja!&lt;br /&gt;--Vai que hoje não bebo. Só guaraná!&lt;br /&gt;Daí, Creusa...&lt;br /&gt;--Hum mas tu é gostoso mesmo hein?&lt;br /&gt;--Pazes?&lt;br /&gt;--Tá, mas fica esperto.&lt;br /&gt;--Dá um tempo, a gente leva...&lt;br /&gt;Às vezes olho as grades, as visitas íntimas e tudo se mistura em minha cabeça. Eu, com grades para tomar conta e minha vida lá fora com grades na família, na mulher que me olha com desprezo, na bunduda que se aproveita...Afinal quem está preso? Mas eles vão ver, quatro dos meus se foram. Eles que se preparem.&lt;br /&gt;Daí, o chefe...&lt;br /&gt;--Ramiro, estou notando que você está relaxando com os elementos. Veja lá hein?? Nada de cigarro ou outra coisa, se tiver eu te boto pra fora, ouviu? Tudo igual. Tudo igual.&lt;br /&gt;--Mas chefe! Eu???&lt;br /&gt;--Não interessa! Estou só avisando!&lt;br /&gt;Daí, a sogra...&lt;br /&gt;--Arruma a camisa, genro. Ô minha querida, se a mulher cuida bem, marido nota cem.&lt;br /&gt;--Esse aí? Ih Ih Ih...&lt;br /&gt;E lá vão as duas cochichar o que já sei, o que eu tantas vezes ouvi na cara. Olho para as janelas e vejo as grades do presídio, olho da vigia e vejo as janelas de casa...Daí...&lt;br /&gt;--Tudo igual né mano?&lt;br /&gt;--Fica esperto. Vocês que se cuidem.&lt;br /&gt;--Tem otário pra tudo. Se manca, Mané.&lt;br /&gt;Daí...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28486182-115212091506766956?l=poetagens.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poetagens.blogspot.com/feeds/115212091506766956/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28486182&amp;postID=115212091506766956' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/115212091506766956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/115212091506766956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poetagens.blogspot.com/2006/07/man.html' title='Mané'/><author><name>Poetagens e Tinturarias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11848190307144847564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28486182.post-115007952068434814</id><published>2006-06-11T19:31:00.000-07:00</published><updated>2006-06-11T19:32:01.103-07:00</updated><title type='text'>O Outro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Escrever um texto qualquer, como este, é uma aventura. Os parágrafos vêm à mente, surgem idéias que brotam do nada e a gente acaba pensando puxa, mas isto é escrito ou transcrevo idéias de Outro que se sobrepõe à minha pessoa, tomando meus nervos, meus músculos e minha ossatura para imprimir marcam indelével num mundo que já passado, se foi há muito e agora, através de minha pessoa, se faz gênero e espécie, isto é, assume forma e função, minhas mãos são suas escribas, então eu apenas obedeço ao que o Outro diz. O que ele diz? Eu percebo que ele me olha através de mim mesmo, sendo Outro e eu sendo eu, somos apenas formas distantes do que já foi um dia um só, eu e ele compartilhamos este exíguo espaço e ele me sussurra, você mente, você mente, desbragadamente, espera que me convença de que afinal eu sou o Outro e você é que não? O que te faz pensar que está vivo e eu sou uma sombra de si mesmo, o que te faz pensar que Outro além de mim e que esteja acima, além, não nos comanda a ambos, eu e você, numa espécie de jogo cósmico, em que somos peças de xadrez, torres, bispos, rainhas e coisas assim corriqueiras? Eu penso cá comigo, que ousadia, ele pensa que é o que sou e eu é que sou Outro, um Outro mais além, seria eu então uma quimera, um fiapo de sonho e ele seria parte de um sonho mais secreto, o sonho de uma abelha em torno de uma maçã, seria eu o Outro pensando ser vivo e nada mais além de um fantasma, uma fera acuada além do espelho que aprisiona a todos além da morte, um fraco reflexo dele que eu achava ser Outro, esperando o momento de assomar após o sono reparador de tantas horas, nunca dormi tanto como ultimamente, viu, diz ele, viu como mentes? Claro que dormes, dormes o dia todo, não é para isto que serve a morte, dormimos para nos esquecer de nós mesmos, de tudo, do mundo, das surpresas... Aí é que eu vejo bem e ao olhar o espelho vejo talvez a fugidia imagem dele, um pálido brilho de olhar trapaceiro, uma nesga de luz alentecida pelo calor do dia que se passa devagar nas paragens cotidianas de meus dias, eu sempre vejo que o Outro se sobrepõe, mas ai dele, ai dele se ousar tocar no que ainda tenho de meu, ai do Outro que não sobra nem farrapo, e ele sabe, mas diz, está vendo? Está vendo? Mentes de novo e o pior, mentes a ti mesmo, é claro que eu é que arremeto à realidade quando sonhas por séculos, eu é que acordo manhã cedo e tomo o ônibus, sou eu que defendo minha espécie de Outros como você, eu é que me rebelo contra esta injusta justiça que nos reduz a este estado de frouxidão e de medo, pois deste nada sobrou em mim e eu reflito, este Outro, este outro estado de consciência, este outro permanecer, sendo e estando, será o que fica após nossa saída do mundo? Se assim o for, poderia conversar com Outros, da mesma linhagem ou até mais antigos, este Outro que me fala me desagrada, quereria conversar com outras, Outras e muitas mais, mas este aqui me confunde, este aqui me magoa e ele, está vendo? Está vendo? De onde vem esta tristeza senão da consciência que terminou de terminar, de onde vem esta infinita dor senão da sensação de que teus dias estão então contados, de onde vem esta fina dor secreta que enfim demonstra cabalmente que eu, não tu, é que sou o outro e tu, o Outro e finalmente me convenço afinal, ele deve ter razão, esta insistência de minha parte em ficar aqui, enclausurado enquanto ele vem este Outro que se apossa de minhas palavras, este Outro não é ninguém senão os outros que ainda serão mais e muitos Outros que já vieram de mim e agora, assim tão de repente quanto surgiram e se fizeram presentes, somem, com vozes intangíveis e voltam para onde vão as vozes esquecidas nos pântanos de minha memória que se apaga como se apagam as estrelas antes mesmo de brilharem no céu sem nuvens que eu contemplo de meu jazigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28486182-115007952068434814?l=poetagens.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poetagens.blogspot.com/feeds/115007952068434814/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28486182&amp;postID=115007952068434814' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/115007952068434814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/115007952068434814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poetagens.blogspot.com/2006/06/o-outro.html' title='O Outro'/><author><name>Poetagens e Tinturarias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11848190307144847564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28486182.post-114894590503376668</id><published>2006-05-29T16:36:00.000-07:00</published><updated>2006-05-29T16:38:25.050-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2/3019/1600/1000imagens1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2/3019/320/1000imagens1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A Abelha&lt;br /&gt;A abelha que, voando, freme sobre&lt;br /&gt;A colorida flor, e pousa, quase&lt;br /&gt;Sem diferença dela&lt;br /&gt;À vista que não olha,&lt;br /&gt;Não mudou desde Cecrops. Só quem vive&lt;br /&gt;Uma vida com ser que se conhece&lt;br /&gt;Envelhece, distinto&lt;br /&gt;Da espécie de que vive.&lt;br /&gt;Ela é a mesma que outra que não ela.&lt;br /&gt;Só nós — ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! —&lt;br /&gt;Mortalmente compramos&lt;br /&gt;Ter mais vida que a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28486182-114894590503376668?l=poetagens.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poetagens.blogspot.com/feeds/114894590503376668/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28486182&amp;postID=114894590503376668' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/114894590503376668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/114894590503376668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poetagens.blogspot.com/2006/05/abelha-abelha-que-voando-freme-sobre.html' title=''/><author><name>Poetagens e Tinturarias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11848190307144847564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28486182.post-114878145397757997</id><published>2006-05-27T18:49:00.000-07:00</published><updated>2006-05-27T18:57:33.986-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2/3019/1600/%28pollock%29-the-key.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2/3019/320/%28pollock%29-the-key.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Uma vez que ele sabia o código da Chave, ele podia sair. Mas ele olhou para os lados, ele olhou para o alto, o telhado tão próximo, a fumaça de sempre saindo das chaminés, os colegas dormindo enrolados nas camas abrigando-se do frio intenso àquela hora e teve pena de tudo que acontecera consigo. Como ele pudera ser tão ingênuo? A Chave era um mistério, foram anos de trabalho paciente, escolhendo cada palavra deixada nos cantos mais secretos dos livros que lia e relia na biblioteca do Instituto em que agora estava. Cada livro tinha as Senhas para a próxima Senha e ele afinal havia decifrado a ùltima, a que todos desejavam: aquela que iria abrir as portas do mundo e da Porta que só ele soubera da existência. Duro guardar segredo naquele lugar, mas ele vez em quando sumia como para se certificar que ela permanecia trancada, numa espera de séculos, empoeirada qual o livro que lera e vira o símbolo da permanência incrustado ao pé da página, um texto barroco que falava dos estilos de pórticos de igrejas e ele fascinado pelas iluminuras do livro e pela textura antiga das páginas que ele manuseava, naquela noite mesmo tivera um sonho, sonhara que a chave o conduzia a outra porta que o levava de volta à sua casa, da qual saíra para não voltar há quarenta anos e agora sua alma repousava ali, depois de tanto tempo de espera. Agora suas idéias fluíam, ele sonhava rever amigos e quem sabe os pais, de quem não recebia notícias há tempos, ele queria se regenerar; difícil mesmo é começar. Na hora do banho, sempre a velha rotina, tapas na bunda, grunhidos e ofensas em alto grau, seus olhos crivados na frente, ao alto de toda a gritaria do banho gelado, que despertava para o trabalho, despertava as partes adormecidas, o banho que lavava as almas das duras lidas da noite e do suor que se acumulava e deixava um azedume agressivo certas horas do dia. Só ele sabia da Porta. Seus mais chegados percebiam a premência do olhar, você está esquisito, veja lá, que foi desta vez? Nada e ele lavava o corpo deixando a água gelada escorrer como um fio de navalha que cortava sua carne sem dó, sem dor mas sem dó. A Chave estava em seu cérebro. Só ele podia revelar; também a passagem dava direito a só um e esse um seria ele, alguma dúvida? Seus olhos eram frios e mais de um soubera que se estivessem brilhantes, o ouro do dia seria um prêmio, senão, sem chances. Ele divisara a Porta, engraçado como era fugidia, uma estranha ilusão a fazia sumir de vista, ele sabia como fora feita, mas também sabia que quem a colocara morrera na tentativa de abri-la. Era um preço que as escrituras citavam e ele, cheio de pavor e alegria, agora se encontrava ao pé daquela que poderia levá-lo a outra era de sua vida, não mais os grilhões da espera eterna a que ele se submetera sem nenhuma alternativa. Conhecera os livros através do tempo, em sonhos confusos em que mãos abriam portas e indicavam-se direções que ele mal sabia distinguir, mas agora, depois de tantos anos de espera, reunira condições, maturidade para poder seguir os caminhos que o coração finalmente lhe ditava. Seu coração a esta hora quase parava, pois tinha diante de si a Porta, as nervuras da madeira antiga oculta atrás do banheiro inacreditavelmente nítidas e limpas, qual se tivesse sido feita agora mas os documentos a datavam de 1670, portanto, ele sabia, alguém as mantinha e ele queria saber como tal estrutura poderia ter chegado até ali, não importa, talvez ele tenha pensado nisto há séculos. Seria ele o Autor desta Porta que o mirava do alto de sua imponência, as nervuras dando os detalhes de sua idade, cada ano uma lâmina de lenha se fazendo e sendo escrita pela maior de todas as deusas, Natureza. 1670! Como diabos carregaram a coisa até ali???A madeira em certos cantos assemelha-se a rocha no peso e na composição de cores que aberram o céu azul de tanto frio. Ele se sente meio que de madeira e rocha, então caminha até a porta e retira da pequena bolsa a dourada chave. Falta pouco agora, os Outros tomam banho em telhados, ele ri sozinho do que está prestes a fazer. A Chave dourada repousa agora na fechadura. Num estalido ela se abre, ele penetra na escuridão baça da noite que já vai alta. A Lua por testemunha vê seus passos trôpegos, vê seus lábios ressequidos. Lábios frouxos agora na caminhada que sugere a luta que ele tivera, as nuances de cada dia em que houvera uma imanência da espera, a luz de cada sol que se dissera esplêndido, agora a Maçaneta dourada era sua única fonte de luz, na ilusão do canto escuro que escolhera para abrir a última chance que tivera para afinal, depois de tantas eras, sair de seu degredo de forma definitiva. Respirou o ar da manhã viciado pelos miasmas das águas impuras que escorriam pelas cloacas tão próximas, disse a Palavra que abria a fechadura e sumiu para todo o sempre deste Universo. Ninguém deu por falta dele.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28486182-114878145397757997?l=poetagens.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poetagens.blogspot.com/feeds/114878145397757997/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28486182&amp;postID=114878145397757997' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/114878145397757997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/114878145397757997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poetagens.blogspot.com/2006/05/uma-vez-que-ele-sabia-o-cdigo-da-chave.html' title=''/><author><name>Poetagens e Tinturarias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11848190307144847564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28486182.post-114822147959836204</id><published>2006-05-21T07:22:00.000-07:00</published><updated>2006-05-21T07:29:18.536-07:00</updated><title type='text'>O Dinheiro do PCC</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2/3019/1600/robbiewilliams.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2/3019/320/robbiewilliams.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma parcela significativa da arrecadação mensal do Primeiro Comando da Capital provém da cobrança de "pedágio" e, muitas vezes, da própria operação de linhas de lotação na capital. Estima-se que até 20% dos 6 mil perueiros de São Paulo tenham de pagar propina à facção para trabalhar. Os valores variam conforme a rentabilidade da linha, mas ficam entre R$ 30,00 e R$ 60,00 por dia. Assim, o partido do crime obtém, só com a extorsão de perueiros, no mínimo R$ 1 milhão por mês. "Os operadores ficam acuados", diz o representante de uma das maiores cooperativas paulistanas, com 1.700 filiados nas zonas norte, leste e oeste. "Quem não paga tem duas opções: deixa o sistema ou tem de arcar com as consequências".&lt;br /&gt;Assim como no primeiro escalão do PCC, a hierarquia entre os criminosos infiltrados nos lotações é rígida. O coordenador de linha fica responsável pelo gerenciamento. É ele quem determina as escalas de trabalho e define a inclusão ou a expulsão de operadores. Na segunda posição do organograma estão os fiscais, designados para conferir o cumprimento das ordens do chefe. A função de motoristas e cobradores nesse esquema se restringe a engordar os cofres da facção, cumprindo jornadas diárias de até 12 horas de trabalho.&lt;br /&gt;Ao longo dos anos, os criminosos instituíram duas modalidades de cobrança de propina – entre eles, a prática é conhecida como "pagar madeira". A maioria é obrigada a dar dinheiro para permanecer no sistema e, em troca, tem proteção contra roubos. Quem escapa dessa cobrança fica sujeito ao pedágio imposto por traficantes e bandidos das favelas ligados ao PCC. Nesse caso, um pagamento exclui o outro. Se o operador se recusa a fazer o acerto, torna-se alvo de ações criminosas. A cobrança de propina acontece em praticamente toda a cidade. (Estado de São Paulo)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28486182-114822147959836204?l=poetagens.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poetagens.blogspot.com/feeds/114822147959836204/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28486182&amp;postID=114822147959836204' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/114822147959836204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/114822147959836204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poetagens.blogspot.com/2006/05/o-dinheiro-do-pcc.html' title='O Dinheiro do PCC'/><author><name>Poetagens e Tinturarias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11848190307144847564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28486182.post-114822067618456919</id><published>2006-05-21T07:00:00.000-07:00</published><updated>2006-05-21T07:11:16.190-07:00</updated><title type='text'>Criatividade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tentei ser criativo.Pus carne seca na panela. Ela não quis. Pensei em atirar os móveis, ela disse que não, que ficassem em casa. Ela apenas estava triste. Cansada. Eu percebí e fui fazer o que se chama de barba. Cortei o queixo. Me sentí um desleixo, o cabelo impune caindo solto na cara, minha barba por fazer, eu disse basta. Ela nem tchum, fazendo as unhas e a criança fazendo cocô na sala. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mudei de canal. Tinha jogo num, no outro tinha senzala. Deixei no jogo, que nada, já a sala foi invadida pelo choro fedido e tive de colocar no desenho de baba verde, eita refresco que mata.Assim não dá gente!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tentei ir ao banheiro. Casa pequena, aluguel barato, patrão que não aumenta, você imagina. Senzala moderna, escuridão da mente. tentei sair de frente, tive que entrar de lado, a unha e o cabelo da morena me matam. Do jeito que estão, espicaçados estão. Em pé, como ela que agora empina a bunda só pra me roçar. Deus me livre, amanhã tenho de trabalhar, sabe como é, a gente se mata mas a gente rí um do outro, um da cara do outro, um da bunda do outro. Só não gosto quando ela rí do que eu não sou e me chama de vagabundo, rampeiro e chinfrim. Ah, eu viro um bicho insano e arranco seus cabelos, ela me bate e chega de hematoma e equimose no trabalho. Se lhe pergubtan, ela já tem a resposta. Deus lhe pague, ela sabe que assim vivemos, eu de raiva dela, ela com raiva de mim. Não dá certo, com certeza, e o bebê solta um laivo de merda bem perto da janela. Ela vem, me olha com aquele olhar que ela sabe fazer, eu junto as latas de cerva e arrumo o sofá que ficou amassado, jogo as flores fora(elas cheiram pior que o traseiro do bebê), pego o jornal que deixei em cima da televisão e pronto. Lavou, tá novo. Certo? Errado, a fralda vazou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim não dá gente! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28486182-114822067618456919?l=poetagens.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poetagens.blogspot.com/feeds/114822067618456919/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28486182&amp;postID=114822067618456919' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/114822067618456919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/114822067618456919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poetagens.blogspot.com/2006/05/criatividade.html' title='Criatividade'/><author><name>Poetagens e Tinturarias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11848190307144847564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28486182.post-114821834491909061</id><published>2006-05-21T06:31:00.000-07:00</published><updated>2006-05-21T06:32:24.926-07:00</updated><title type='text'>Interessante</title><content type='html'>Um bom começo este domingo frio em sampa. Eu aqui criando textos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28486182-114821834491909061?l=poetagens.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poetagens.blogspot.com/feeds/114821834491909061/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28486182&amp;postID=114821834491909061' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/114821834491909061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28486182/posts/default/114821834491909061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poetagens.blogspot.com/2006/05/interessante.html' title='Interessante'/><author><name>Poetagens e Tinturarias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11848190307144847564</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
